ABORDAGEM
Humanista-Existencial
Abordagem Centrada na Pessoa, Logoterapia e Daseinsanálise
A abordagem
As abordagens humanista-existenciais fazem parte de uma “terceira força” na psicologia, propondo um caminho diferente das abordagens behavioristas e psicanalíticas. Com forte inspiração filosófica, partem da valorização da singularidade de cada indivíduo e da compreensão da pessoa para além de rótulos e diagnósticos.
No humanismo, a relação entre terapeuta e cliente é central, sendo considerada mais importante do que técnicas ou teorias. Privilegia-se o contato autêntico e a aceitação incondicional, criando um espaço de encontro baseado na congruência e no não julgamento.
A filosofia existencial, por sua vez, contribui para a reflexão sobre temas como morte, finitude, angústia, liberdade, responsabilidade e autenticidade. Nesse contexto, a psicoterapia busca oferecer um espaço em que a pessoa possa, gradualmente, se reconectar consigo mesma, encontrando mais sentido e propósito em sua vida.
Abordagem Centrada na Pessoa
O americano Carl Rogers desenvolveu a Terapia Centrada na Pessoa, uma abordagem focada no aqui-e-agora e na compreensão de que o indivíduo é responsável por si mesmo. Defende que o processo terapêutico se dá sobretudo pela relação entre o cliente e o terapeuta, que deve ofertar uma compreensão empática, consideração positiva incondicional, e congruência. Rogers ressalta a importância do respeito pela individualidade da pessoa, assim como sua liberdade e dignidade, o que demanda que o terapeuta deixe de lado seus próprios pontos de vista e valores para que possa acolher a pessoa como ela é. O objetivo é que a partir dessa relação o indivíduo desenvolva o autoconhecimento que o permita se tornar verdadeiramente quem ele é.




"...é o próprio cliente que sabe aquilo de que sofre, qual a direção tomar, quais problemas são cruciais, (...) o melhor era deixar ao cliente a direção do movimento no processo terapêutico."
Carl Rogers - Tornar-se Pessoa
Logoterapia
Em sua obra principal, Em Busca de Sentido, Viktor Frankl define a Logoterapia como uma psicoterapia centrada no sentido, sendo menos retrospectiva e introspectiva que outras abordagens, por ter o foco no futuro. O autor defende que o ser humano possui “vontade de sentido”, e a partir disso, o objetivo da terapia seria “confrontar o paciente com o sentido de sua vida e o reorientar para o mesmo”. Tendo ele mesmo sobrevivido aos sofrimentos dos campos de concentração nazistas, Viktor discorre sobre as maneiras que podemos encontrar sentido até mesmo no sofrimento. Nas palavras do autor, “sofrimento de certo modo deixa de ser sofrimento no instante em que encontra um sentido”.




Daseinsanálise
Inspirados pela filosofia de Martin Heidegger, Medard Boss e Ludwig Binswanger desenvolveram a abordagem Daseinsanálise. Nessa abordagem, o trabalho terapêutico busca aumentar o autoconhecimento e desvelar novas possibilidades de significado para as experiências do cliente. Dessa forma, através da compreensão de sua vivência, o indivíduo pode assumir maior liberdade em sua vida e seus processos de escolha. Assim como na abordagem de Carl Rogers, aqui é necessário que o terapeuta assuma uma postura fenomenológica para que abdique da vontade de guiar o cliente para o caminho que se acredita ser o mais adequado, pois é necessário que respeitemos o indivíduo como ele é.



